Aportes bilionários colocam Campos Gerais no centro da indústria cervejeira

Investimentos de R$ 4,1 bilhões reforçam crescimento do setor e ampliam peso do Paraná no cenário nacional

A região dos Campos Gerais vive um momento de forte expansão industrial, impulsionada por grandes investimentos no setor de bebidas. Somando recursos aplicados por empresas como a Maltaria Campos Gerais, a Heineken e a Ambev, o volume chega a R$ 4,1 bilhões, consolidando o interior do Paraná como um dos principais polos produtivos do país.

Esse movimento vai além de números expressivos. Ele está diretamente ligado ao avanço da indústria paranaense, que vem ganhando mais espaço no Brasil. Dados recentes apontam que o Estado aumentou sua participação no valor gerado pela indústria de transformação nacional, passando de 6,89% em 2018 para 7,22% em 2024. No mesmo período, a riqueza produzida pelo setor praticamente dobrou, saltando de R$ 91 bilhões para R$ 184 bilhões.

Foto: Felipe Henschel/AEN.

Polo regional cada vez mais consolidado

Nos Campos Gerais, os investimentos ajudam a estruturar uma cadeia produtiva completa ligada à cerveja — desde o cultivo da cevada até o produto final que chega ao consumidor. Ponta Grossa concentra boa parte desses empreendimentos e se destaca como peça-chave nesse cenário.

Um dos principais projetos é a Maltaria Campos Gerais, inaugurada em 2024 com aporte de R$ 1,6 bilhão. A unidade se tornou a maior fábrica de malte da América Latina, ampliando a produção nacional de um insumo essencial para o setor cervejeiro.

Na mesma cidade, a Heineken também reforçou sua presença com a ampliação da planta industrial, resultado de um investimento de R$ 1,5 bilhão. Já em Carambeí, a Ambev destinou cerca de R$ 1 bilhão para implantar uma fábrica voltada à produção de garrafas retornáveis, ampliando a capacidade logística e sustentável da empresa.

Impactos para a região

A concentração desses investimentos cria um efeito direto na economia local e regional. Além de gerar empregos e renda, fortalece o desenvolvimento de fornecedores e estimula novos negócios, algo que também pode refletir em cidades como Jaguariaíva, que fazem parte do mesmo eixo econômico dos Campos Gerais.

Outro ponto importante é a diversificação da indústria paranaense. A presença de grandes empresas, somada ao crescimento de cooperativas e produtores rurais, amplia a capacidade produtiva e reduz a dependência de insumos importados, especialmente no caso do malte.

Um ciclo que começa no campo

O avanço do setor cervejeiro no Paraná tem origem na força do agronegócio. O Estado é um dos maiores produtores de cevada do Brasil, matéria-prima fundamental para a fabricação do malte. Com a ampliação das indústrias, cresce também a demanda no campo, gerando impacto direto na produção agrícola.

Esse encadeamento — do plantio à industrialização — é visto como um dos diferenciais dos Campos Gerais, que entram de vez na rota dos grandes investimentos privados do país.

Perspectiva de crescimento

Com a chegada e expansão de empresas multinacionais e cooperativas, a tendência é de continuidade nesse ciclo de crescimento. O fortalecimento da indústria de transformação, especialmente no segmento de bebidas, coloca o Paraná em posição estratégica no cenário econômico nacional.

Para a região, o momento é de consolidação. E para cidades próximas, como Jaguariaíva, o avanço representa oportunidades indiretas, seja na geração de empregos, no aumento da circulação econômica ou na atração de novos investimentos.

Com informações de aRede.