A agência dos Correios em Jaguariaíva pode parar na próxima semana. Trabalhadores decidiram, em assembleia realizada no local, iniciar uma greve a partir de 7 de julho, após denúncia feita por um representante do sindicato sobre as condições precárias de trabalho no prédio. A mobilização ocorre em meio a uma crise nacional da estatal, que prevê fechamento de unidades e cortes de pessoal.
Denúncia aponta ambiente insalubre e risco aos trabalhadores
O movimento foi acompanhado pelo sindicato da categoria, cujo representante esteve na unidade e relatou as condições durante a assembleia. Segundo ele, o prédio apresenta problemas estruturais há meses, com o comprometimento da cobertura e infiltrações que permitem a entrada constante de água.
O representante também descreveu um ambiente interno deteriorado, com cheiro forte de mofo e bolor. Móveis e equipamentos estariam sendo danificados pela umidade. A área de atendimento ao público também foi citada como inadequada, sem condições para o trabalho dos atendentes nem para o recebimento de usuários.
Ainda conforme o relato, a empresa já havia sido formalmente notificada por meio de ofícios e contatos com a superintendência, mas nenhuma medida efetiva teria sido adotada. Diante disso, os trabalhadores aprovaram por unanimidade a paralisação, caracterizada como “greve ambiental”, voltada à exigência de condições mínimas de trabalho.
Crise nacional pressiona estrutura dos Correios
O caso de Jaguariaíva ocorre em um momento delicado para os Correios em todo o país. A estatal enfrenta uma sequência de prejuízos e anunciou um amplo plano de reestruturação que inclui fechamento de até mil agências e redução de até 15 mil postos de trabalho até 2027.
Somente em 2024, a empresa registrou prejuízo de cerca de R$ 2,6 bilhões. Em 2025, o rombo avançou de forma ainda mais acelerada, podendo superar R$ 8 bilhões segundo dados divulgados após o balanço anual.
A estratégia da atual gestão prevê enxugamento da estrutura, venda de imóveis e redução de unidades consideradas deficitárias. Hoje, apenas cerca de 15% das agências operam com superávit no país, o que demonstra a dimensão do problema financeiro.
De superávit recente à deterioração das contas
Apesar do cenário atual, os Correios já passaram por um período recente de resultados positivos. Entre 2017 e 2021, a estatal registrou anos consecutivos de lucro, incluindo resultado superior a R$ 2 bilhões em 2021.
A reversão começou a partir de 2022, quando a empresa passou a acumular prejuízos sucessivos, influenciada por aumento de despesas, queda na participação de mercado e mudanças no setor logístico. Desde então, a situação se agravou, levando ao atual processo de reestruturação.
Impacto direto para Jaguariaíva
No município, os Correios mantêm unidades que atendem tanto a área urbana quanto regiões mais afastadas. Com a possibilidade de paralisação, moradores podem enfrentar atrasos no envio e recebimento de correspondências e encomendas, além de dificuldades em serviços básicos.
A situação também levanta dúvidas sobre o futuro da agência local, diante do plano nacional de fechamento de unidades deficitárias. Embora não haja confirmação oficial sobre Jaguariaíva, o cenário amplia a preocupação entre trabalhadores e usuários.
Próximos passos
A assembleia realizada pelos funcionários definiu o início da greve em 7 de julho, caso não haja resposta da empresa quanto às condições estruturais da unidade. O sindicato deve seguir acompanhando o caso e cobrando providências.
Até o momento, não houve posicionamento público dos Correios sobre a situação específica da agência de Jaguariaíva.